O professor, o aluno e o futuro

Por Douglas Tufano

O professor é alguém que trabalha muito, mas quase nunca tem a oportunidade de ver plenamente o fruto do seu trabalho. Plantamos para que, mais tarde, alguém possa colher. Por isso, ao longo de meus quarenta anos de magistério, vi muitos professores desanimados porque têm a impressão de que seu trabalho não é importante, não contribui para nada significativo. Acho que pensar assim é um equívoco.

Poder participar do projeto de vida de um aluno, nem que seja apenas por um ano, é algo importante. Geralmente, não é aquilo que se ensinou que vai marcar um aluno, mas sim o modo como se deu o seu relacionamento com o professor. A troca de experiências, as palavras de entusiasmo e de ânimo que ele escutou, a convivência quotidiana – tudo isso pode ter um peso extraordinário na vida de uma criança ou de um jovem. Depois de tantos anos, ainda me lembro de alguns professores do Ensino Fundamental e Médio que me marcaram, que me ajudaram, sem saber, a fazer escolhas importantes na vida. Lembro-me de suas palavras, de conselhos, de exemplos. E isso ficou incorporado em mim, passou a fazer parte do meu modo de pensar e agir. Gosto de pensar que, ao longo desses anos todos, também pude ajudar muitos alunos a tomar decisões que mudaram suas vidas.

Hoje em dia, num mundo que se transforma tão rapidamente, a principal contribuição do professor deve ser criar nos alunos o gosto pelo conhecimento, o desejo de aprender sempre mais. O professor deve esforçar-se por manter acesa a chama da curiosidade intelectual. Num mundo que não para de mudar, ter essa disposição mental é importantíssimo.

Fala-se muito em motivar o aluno, em apresentar aulas interessantes, movimentadas, em facilitar a aprendizagem etc.É claro que tudo isso é válido, sem dúvida, mas é preciso entender que nem sempre aprender é divertido. Nem sempre é possível converter um determinado assunto em atividades lúdicas, em que se aprende brincando. Há momentos em que é necessário haver concentração, leitura atenta, raciocínio. E isso cansa. Mas esse tipo de esforço é importante para formar um aluno crítico, para desenvolver sua autonomia intelectual.

Se esforço pessoal, nada se aprende, em qualquer atividade. Quem quiser ser um bom pianista, vai ter que praticar bastante; quem quiser ser um bom nadador, deverá treinar muito. O professor deve conscientizar os alunos sobre a importância da persistência, da dedicação, da perseverança. É preciso fazer o aluno desenvolver uma postura diante do conhecimento. Que ele saiba, desde o início, que aprender requer esforço. Não se pode enganá-lo dizendo que tudo é fácil, que ele sempre vai ter aulas divertidas. Não foi brincando que a humanidade conquistou conhecimentos, que a ciência avançou, que as artes se desenvolveram. Mas todo esse trabalho é recompensado com a aquisição de habilidades que ele poderá utilizar pelo resto da vida.

Por outro lado, isso é um desafio para nós, professores. A atividade docente pressupõe sempre uma postura humilde, a postura de quem está consciente de suas limitações e, por isso, deve estar preparado para aprender cada vez mais sobre a difícil arte de ensinar. Com o tempo, vamos identificando as atividades que mais entusiasmam os alunos, que facilitam a aprendizagem, que desenvolvem melhor certas habilidades. Por isso, a experiência de sala de aula conta muito para o bom desempenho do professor. Mas não é garantia de que funcione sempre. Pode ser que, em certas circunstâncias, o professor seja obrigado a repensar completamente sua didática para torná-la mais adequada a uma determinada classe, a determinados alunos. E é justamente por ser mais experiente que cabe ao professor mudar seu comportamento, e não, ao contrário, esperar que os alunos se adaptem a seu modo de ensinar.

Por isso, somos educadores. Por isso, vibramos quando vemos nossos alunos brilharem. E ficamos tristes quando eles não se saem bem. Mas não queremos vê-los desanimados, procuramos renovar o entusiasmo, mostrar-lhes que são capazes de superar as dificuldades e os obstáculos. E ao compartilharmos emoções e sentimentos, nos damos conta de que eles são mais do que alunos, são pessoas que entraram em nossas vidas, por isso, queremos o melhor para eles.

Os verdadeiros professores tornam a humanidade melhor. Por isso, são pessoas especiais.

 

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