Pai ético

O que podem ter em comum um pai que para em fila dupla para esperar o filho na porta da escola, atrapalhando o trânsito, e um filho que guarda a garrafa de água vazia na geladeira? Bem, ambos podem não ter aprendido que se preocupar com o bem-estar dos outros é importante. Da mesma forma, o que leva um chefe a prometer aquela promoção e não cumprir? É possível que, ao julgarem uns aos outros, todos afirmem: “É por isso que o país não vai para frente”.

Lembro-me de uma cena na sinaleira, um rapaz com malabares em chamas se apresentava para os motoristas. Da camionete ao meu lado, uma criança abre o vidro e joga, em meio a gargalhadas, uma casca de banana no boné do artista. O motorista, escondido atrás de um insulfilme, manteve-se alheio. Deduzi que fosse o pai, poderia ser o motorista da família, mas era um adulto em silêncio.

Na antiga Grécia, Aristóteles já procurava sistematizar a ética. Para ele, “toda a ética digna desse nome parte da vida e se propõe a reforçá-la, pois fala da vida”. Se a ética sustenta a vida, quando falamos de uma sociedade sustentável, ela é uma sociedade ética. Um pai ético sustenta o seu filho em valores, o que garantirá que este adquira costumes que sustentarão e reforçarão a vida nas suas relações com o mundo. Para Gabriel Chalita em seu livro Os Dez Mandamentos da Ética, “O bem é a finalidade da ética. O respeito, o seu maior representante. Não há como ser ético sem respeitar o outro, seu pensamento, sua história, suas posses”.

Cada vez que um pai aumenta o conhecimento e a prática de atitudes de respeito aos outros, mais o filho compreende as razões da liberdade de ser e de pensar diferente. Um pai ético pode significar uma família ética. Para isso, é preciso aceitar as diferenças, cuidar, apoiar e compreender.

Para Chalita, “O amor é a força motriz da ética. Quem ama faz o bem”. Um pai amoroso precisa ensinar o filho a fazer escolhas éticas que beneficiam os outros e não apenas a si mesmo. A cultura do ganha/perde tem colocado a sociedade em baixos níveis de tolerância às fragilidades humanas.

Ostentar faz sentido nessa sociedade que tira vantagem. Estimular as práticas de ostentação nos filhos é contribuir para o aumento da falta de respeito, além de apoiar atitudes classistas, derivadas da crença de que aqueles que têm ou sabem mais são melhores do que os outros. É preciso, mais do que nunca, que o pai possa ser livre, não ter preconceitos, ser frágil, camarada e profundamente forte na ética que sustentará o filho e o mundo.

Fonte: jornal Zero Hora (por Dulce Ribeiro)

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