Equidade no desempenho escolar (2)

No último artigo, mostrei que os sistemas educacionais com desempenho elevado no Pisa 2009 oferecem educação de qualidade para todos. Estudos recentes mostram que uma combinação específica de ações pode elevar de forma expressiva o aprendizado de crianças e jovens criados em condições socioeconômicas desfavorecidas.

Essa abordagem, conhecida como “No Excuses” (sem desculpas), caracteriza-se por uma maior duração do dia e do ano letivo, avaliações frequentes de professores e alunos e uma preocupação em estimular certas características de comportamento.

Uma carga horária mais elevada é importante para compensar o efeito negativo sobre a aprendizagem decorrente de um ambiente familiar pouco estimulante.

Por sua vez, as avaliações de professores e alunos permitem a identificação dos obstáculos à melhoria do ensino e a criação de mecanismos de responsabilização.

Além disso, vários estudos mostram que determinados atributos de personalidade e comportamento, como disciplina, persistência, motivação e autoestima, contribuem para a melhoria do desempenho educacional e reduzem a probabilidade de envolvimento com drogas e atividades criminosas.

Nos EUA, o modelo “No Excuses” tem sido utilizado principalmente em escolas “charter”, que são escolas públicas com gestão privada. Um exemplo é o Knowledge is Power Program (Kipp), rede que atende predominantemente alunos de famílias pobres e minorias étnicas.

Essa abordagem também é empregada pela maioria das escolas “charter” de Boston, de Nova York e do Harlem Children’s Zone, experimento que combina ações na área de educação com programas sociais e comunitários.

Pesquisas mostram que essas intervenções educacionais tiveram grande impacto no desempenho dos alunos em testes padronizados de leitura e matemática.

No Brasil, existem algumas experiências recentes que utilizam um modelo semelhante ao “No Excuses”. As Escolas de Referência em Ensino Médio de Pernambuco, por exemplo, são escolas públicas de tempo integral que possuem um currículo estruturado e estabelecem metas de aprendizagem.

Nelas, os professores são avaliados em função do cumprimento de tais metas acadêmicas. Também existe grande ênfase em transmitir valores e características de comportamento que estimulem os alunos a concretizar seus objetivos.

O que caracteriza o modelo “No Excuses” é a combinação específica de ações, e não a forma de gestão. Portanto, trata-se de uma intervenção educacional que pode ser replicada em diferentes contextos e oferecer contribuição importante para o aumento da equidade no desempenho escolar.

Fonte: jornal Folha de S.Paulo (por Fernando Veloso)

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