Ainda sobre Pentecostes

Foi no domingo passado a grande festa do Espírito Santo. Há muitas reflexões que podem ser continuadas em nosso olhar. Vamos a duas, daqueles fatos, daquele dia, daquele momento espiritual que não se encerra em uma semana, nem em um século. Há dois mil anos, estavam os que, com Jesus, aguardavam a chegada do Espírito Santo.

Duas reflexões? Vamos lá. A primeira sobre o perdão. A segunda sobre a comunhão.

Perdão? Os que leram um pouco da história dos últimos dias de Jesus devem se lembrar do discípulo que Ele chamou para que fosse a pedra angular da comunidade que dele haveria de nascer: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja". Pois bem, Pedro, antes do cantar do galo, negou Jesus três vezes. Exatamente isso, no momento em que Jesus mais precisava, Pedro chegou a dizer que sequer o conhecia. Poucos dias haviam se passado da morte de Jesus. E Pedro, naquele dia, estava lá, aguardando o Espírito Santo, com a mãe de Jesus. Maria poderia ter expulsado Pedro, poderia ter desabafado: "Você traiu meu filho!". Poderia ter dito: "Com você, eu não fico!". O que fez Maria? Apenas compreendeu. O medo de Pedro não fez dele um homem menor. A compreensão é irmã do perdão.

A outra reflexão é sobre as tantas línguas que estavam por lá. Havia gente de toda parte. E cada um falava uma língua. Mas quando os discípulos, cheios do Espírito Santo, começaram a falar, todos compreenderam o que eles diziam. Ninguém precisou traduzir nada. O Espírito respeitou cada um, com sua língua, com sua história, com seu jeito de ser, com suas imperfeições e seus medos. Porque é assim que deve ser. Nada de superioridade. Nada de raça pura. Nada de hegemonias. Somos todos sedentos de um fogo que nos ilumine e nos aqueça. Somos todos errantes, carentes de perdão, habitantes de medos tantos que nos levam a negar a quem mais amamos. Mas depois corrigimos. E, quando encontramos uma Maria em nossa espera, os erros se vão mais rapidamente.

Esperar o Espírito Santo não é apenas para um dia. É fazer dos dias presentes de Deus, razões especiais para existir.

Maria perdoou Pedro que perdoou a si mesmo. O auto perdão também não é simples. E partiram eles para a comunhão. Com línguas, raças, jeitos de ser e de viver diferentes, mas com a consciência de que aqueles dias existiram para que os dias de hoje pudessem ser melhores. Que sejam.

Por: Gabriel Chalita (fonte: O Dia - RJ) | Data: 27/05/2018

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